• Lisa Yang

vinyl verde, uma parábola de horror

Atualizado: 11 de Dez de 2021


*contém spoilers*

vinyl verde, é um trabalho do pernambucano kleber mendonça filho, de 2004. baseado na fabula russa, “as luvas verdes”.

conhecido por ter passado por vários festivais, surpreendeu muita gente com um curta-metragem experimental e de certa forma, sinistro. anteriormente, fiz uma breve análise técnica do curta numa review no letterboxd. onde falei um pouco da edição de fotografias em 35mm, a sonoplastia e mixagem de som. e como aqui, o kleber entregava um ótimo trabalho de direção, demonstrando que é possível contar uma história de horror, sendo ela pequena. pois bem, dessa vez, vou falar do enredo, e por fim, minha interpretação desse, que pra mim, é o único filme que beira a genialidade do cineasta recifense. sendo honesta, eu gosto muito de ‘o som ao redor’, mas não acho que seja genial, entretanto, seus trabalhos anteriores, seus primeiros, são os que conseguem ser mais ousados, falando assim. enfim, falemos de vinyl de verde e sua trama. a trama acompanha mãe e filha, em recife. por grande parte da rodagem, as duas fazem atividades cotidianas, como grandes eventos, mas em nenhum momento o nome das duas é mencionado. até que, certo dia, a mãe traz uma caixa de vinyls pra filha, acontece que tem um, que a filha jamais pudera ouvir, o disquinho verde. depois disso, no dia seguinte, a filha já tendo a aceitado a condição de não ouvir o disquinho verde, quando a mãe sai para trabalhar. ela vai lá e ouve. desobedece.

quando a mãe volta do trabalho, um braço a faltava, e assim se repete várias vezes esse mesmo segmento até que a mãe morre. e “nos somos as luvas verdes, a gente vem te pegar”, bem, elas vem mesmo, e pegam a filha. “mais tarde, ela propia se apaixonou, teve filhos, para ele deu todo seu amor, e todos seus medos e mais profundas aflições.”

bora lá, minhas interpretações. mãe e filha, são nada mais, nada menos, do que óbvios arquétipos, usados para subverter os nomes e causar uma sensação desconfortável nos expectadores remetendo a mãe de cada um que está assistindo e a filha, eles próprios. esse curta, pra mim fala muito do que é perca da inocência, relações de dependência, e como a “desobediência”, causa a morte afetiva de onde se tem dependência. nesse caso, com a mãe e filha. as luvas verdes, são o amadurecimento, a consciência adulta, e quando elas chegam, o que antes havia de dependência é substituído com vida própria.autonomia. e a gente vê, depois o que acontece com a filha, ela cresce, e deixa todos seus medos e mais profundas aflições pros seus filhos, basicamente o que a mãe dela, tinha feito. o medo da mãe, da filha crescer e perder a inocência, se torna um ciclo repetitivo, onde o que antes era da mãe, vai para a filha. e dessa filha, para seus filhos. minha interpretação é essa. vinyl verde é definitivamente um filme marcante, difícil de esquecer e com certeza um bom começo pro kleber mendonça filho. minha “crítica” deste filme termina por aqui. espero que tenham gostado.



11 visualizações

Posts Relacionados

Ver tudo