• Lisa Yang

the thing, e o uso da metáfora gay

Atualizado: 18 de Dez de 2021


the thing, escrito e dirigido por john carpenter com ajuda do bill lancaster, é um filme que dividiu no seu lançamento na década de 80 muitas opiniões, sendo mais exata, o filme na realidade repercutiu mal, e só depois de anos virou a ser considerado um clássico do cinema de horror. o filme, inspirado no livro homônimo do john W. campbell Jr. com o mesmo nome.


assim como "Christine"(83)e "halloween" (78), por exemplo. (sobre a mal repercussão)

a verdade é que você geralmente ou ama ou odeia ele (cinema do carpenter). minha introdução ao seus trabalhos foi com seu famoso filme sobre o Michael myers, um assassino em série que representa o nihilismo da forma mais bruta possível. e chega a discutir até a questão do espaço dentro do território norte-americano caracterizado pela grande massacre em massa que acontece por lá, seja por terroristas, ou até garotos adolescentes que atiram nos seus colegas de classe. meu ponto é que o cinema do john, sempre foi político, talvez seu filme mais social e importante para as causas e momentos atuais, seja "they live"(83), um filme sobre teoria de conspiração e o quão longe duas pessoas conseguem ir por achar que algo está errado na sociedade, sendo um filme bem cômico, tem um final catártico e muito coerente dentro do seu propósito, esse é, ser apenas escrachado. se tem algo a discutir aí já é com os pensadores, teóricos e críticos de cinema. tem até uma certa homenagem com uma fala ao george A. romero. sua possível obra-prima, " a noite dos mortos-vivos"

que sincretiza toda uma ideia progressista e anti-racista com o uso de zombies, tem muito a falar sobre o desespero da humanidade como um todo. e para começar o tema deste texto, queria fazer uma ponte para carrie (76) do brian de palma. a metáfora no cinema de horror, sempre foi presente, assim como em "o doutor calligari", em o "animal cordial" ou até mesmo em "boas maneiras". mas eu acho que é possível traçar um paralelo entre carrie e the thing pelo uso da alegoria para tratar de questões de gênero, expressão e liberdade sexual. se assim como em carrie a metáfora é sobre a menstruação e heterossexualidade compulsória debatendo poderes psíquicos, fundamentalismo religioso e o crescer na década de 70 cheia de sexismo. eu considero até carrie um pouco machista, onde temos aquela icônica cena onde a câmera do de palma acompanha as garotas no vestuário e vemos várias delas explícita e desnecessariamente nuas. já em the thing, a metáfora para mim é sobre homens gays e toda uma confusão por conta disso. o quão louco alguém pode se tornar por não confiar em ninguém e em si mesmo. minha teoria é que a famosa criatura extraterrestre é na verdade uma utilização do meio no gênero para falar sobre sexualidade. porquê os homens gays sempre foram muito reprimidos, por si mesmos e pela sociedade. e nesse filme temos o confronto direto da união de vários homens contra um "mal definitivo" que pode causar o fim da humanidade. e a verdade é que muita gente vê assim mesmo, eu diria que até muitos gays por conta do que ouvem, se sentem dessa forma. e digo mais, nenhum dos homens se confiam um nos outros, eles tem medo do que os outros podem ser, e para mim é uma clara referência do medo hetero para com os de outras sexualidades, principalmente a gay masculina. através do body horror e os efeitos práticos, temos o grotesco visual como uma propia referência a como homofobia vê o corpo dos gays. de forma impura e nojenta. o suspense é altamente tocado com a lindissima trilha sonora do ennio morricone que só auxilia no caos interno da trama que é muito bem escrita e resolvida. e o questionamento final é, você é? rs. mas sem brincadeira, o filme termina assim mesmo, se antes já não tinha ficado explícito o quão gay era o filme, na conclusão do ato final temos a memorável pergunta que já fez muitos enlouquecerem. sim, não estou brincando e sim por favor, este texto é sério, rs. eu já achava desde sempre tudo isso, mas ao passar do tempo e ver filmes de horror como fascination (79) do jean rollin, que fala sobre vampiras lésbicas e o clássico español, vampyros lesbos (71) do jesus franco que também fala sobre vampiras lésbicas, eu cheguei a conclusão que o cinema setentista e oitentista foi extremamente importante para a comunidade lgbt+ e com certeza foi para a identificação de muitos jovens ao redor do mundo. é tão influente esse movimento do horror, que temos referências com temáticas lgbt+ em todos os cantos do mundo. e ate mesmo em quadrinhos como "aquele verão", podemos ver filmes clássicos de slasher e gore perpetrados na mente de toda uma juventude e geração. eu queria terminar de escrever por aqui. este deve ter sido o meu texto mais desafiador, pois mesmo achando que escrevi bem, nunca é fácil para mim escrever sobre representatividade homoafetiva nas telas. bom, é isso, se eu conseguir tirar uma boas risadas de vocês ou os fiz questionar alguma coisa, para mim já valeu a pena.


ah sim, esqueci de comentar que sou apaixonada na psicologia das cores, se assim como nós filmes do dario argento temos cores sempre vivas para marcar a temporalidade do horror, em the thing, temos o azul para simbolizar a masculinidade e o rosa pra representar a feminilidade, que é sempre a associada a performances de alguns "gays". até nisso eu consigo ver metáfora, mas já vou parar, acho que ficou bom por aqui.


movies touch our hearts and awaken our vision, and change the way we see things. they take us to other places, they open doors and minds. movies are the memories of our life time, we need to keep them alive. - martin scorsese

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