• Lisa Yang

Suna no Onna, uma busca através dos sentidos

Atualizado: 11 de Dez de 2021


tempo e espaço conversam, pessoas e coisas também, nesse clássico do cinema japonês, temos a obra-prima do hiroshi teshigahara. onde a nouvelle vague japonesa, em meados dos anos 60, encontra seu auge cinematográfico visual e narrativo. um ambiente imersivo, e aterrorizante. mas o que seria exatamente esse ambiente? as dúvidas são inúmeras, as respostas, algumas, talvez eu as tenha. civilidade e sociedade da forma mais alegórica possível.

filme baseado no best-seller de kobo abe. publicado em 1962. dois anos antes do lançamento da adaptação cinematográfica. fazendo dessa, a segunda colaboração entre ambos. e o compositor, toru takemitsu. um trio de tremenda influência artística no Japão, pós-guerra.

um preto e branco, caracterizado por uma iluminação tênue, pelo uso essencial da imagem, acima de tudo, como construção, na sua maxima potencia, o sentido ganha forma.

onde a areia, tem papel determinante na historia. um viajante, cientista, está procurando por motivos profissionais uma nova espécie de um animal, um inseto. ao deparar-se, com um vilarejo, entra, receoso, dentro de um tipo de uma cabana subterrânea, e aí, onde seu mundo explode, e começa toda uma aventura erótica, onde passa por torturas mentais, e sexuais. na primeira noite, ele fica e diz que só permaneceria por uma noite, e pergunta se ele a poderia ajudar com a areia, onde é respondido que “não, não na primeira noite". bem o resto já dá pra imaginar, certo?

questionamentos vitais sobre a vida surgem. dilemas existenciais. quando você, tem um lugar, comida, agua, uma mulher, o que mais você precisa? de liberdade? o que seria, exatamente a liberdade? bem… aqui, obviamente, o protagonista, não tem, mas o que o faz ficar tão revoltado, ter sido enganado? mas então, porque ele cedo aos seus instintos primitivos e cede ao seu desejo sexual pela mulher? a gente descobre, ao passar do enredo, que o que fazem, não é por pura crueldade, existe um esquema de corrupção envolvido, onde a areia é comprada, barata por grandes empresas. a corrupção, seria então quando o humano deixa de ter liberdade, e se aprisiona dentro de sua própria consciência? em ´a mulher das dunas´ não temos bem uma resposta, são mais duvidas que vão surgindo gradualmente ao decorrer do filme. mas então, ninguém, vem mesmo buscar o protagonista? não. ele fala, muitas vezes no começo, pelo primeiro ato/segundo, que alguém viria, mas ninguém vem. todas suas esperanças e expectativas ganham fim ao se confrontar diretamente com a unica verdade possivel, ele esta completamente isolado do seu passado mundo, das suas passadas normatividades e o que fazia viver, e agora esta aprisionado tanto mentalmente, quanto fisicamente, mas assim, que pela primeira vez ele tenta fugir e desesperadamente não consegue. ele desiste. e é nesse ponto de quebrantamento, onde consegue, ao invés, um pouco, de estranha paz. ele aceita seu melancólico destino, e para de buscar sua liberdade total, como ser. e começa aceitar sua nova vida. sua nova rotina. seu novo lugar e seu novo espaço pequeno, num mundo tão vasto e imenso. é assim, que o filme termina.

para encerrar, vou pôr só mais uma colocação que acho pertinente, é engraçado, o contexto de gênero, social onde a mulher das dunas, é por vez quem corrompe o homem, que é apresentado como puro, e santo. onde a mulher faz parte da prisão interna do homem, e por consequência, faz parte da opressão. é subversão de valores e conceitos. só mais um adendo. as dunas, as ondas, elas tem identidade, cada nova onda é um empurrão de choque de realidade, o medo do desabe, é o choque, sua identidade, a realidade mais real de todas. a verdade. só estão vivos para trabalhar. o trabalho, é a única coisa que podem fazer. no fim de tudo, temos ao invés de um inseto para examinar, duas pessoas, como insetos. mais uma subversão, agora com reflexo da humanidade em questão.

tudo nesse filme é ao contrário, e eu amo isso!

“it’s funny how the colours of the real world only seem really real when you viddy them on the screen.” — alex delarge
“I woke up. the pain and sickness all over me like an animal then I realised what It was.” — stanley kubrick
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