• Lisa Yang

Opening night, de john cassavetes e gena rowlands

Atualizado: 11 de Dez de 2021


a gente percebe que john cassavetes e gena rowlands atingiram seu auge quando temos um enquadramento como este de acima que vai ser o visual inerente da trama, onde temos a myrtle, uma atriz de prestigio fragmentada, aos pedaços. sempre gosto de mentalizar os filmes do john como aventuras psicológicas, que o diga ´a woman under the influence´ (1974). mas aqui temos toda uma linguagem completamente diferente e única, vou trazer a sinopse e assim eu comento um pouco sobre um dos meus filmes favoritos da vida. e como me relaciono com ele.

A atriz Myrtle Gordon é uma atriz alcoólatra em funcionamento que está a poucos dias da noite de estreia de sua última peça, sobre uma mulher preocupada com o envelhecimento. Uma noite, um carro mata um dos fãs de Myrtle que estava perseguindo sua limusine na tentativa de chamar a atenção da estrela. Myrtle internaliza o acidente e parte em uma busca espiritual, mas não consegue encontrar as respostas que procura. À medida que a noite de estreia se aproxima cada vez mais, a frágil Myrtle precisa encontrar uma maneira de fazer o show continuar.

DE VERDADE, poucas sinopses conseguem captar tão bem a essência de um filme como é feita neste longa. o que eu quis dizer antes, com uma ´´uma linguagem completamente diferente´´, era que temos, aqui, o cinema enquanto porta para o teatro, há uma grande simbiose entre as linguagens que se diferem, mas que no fundo contam narrativas muito similares. são uma espécie de espelhos. mutuamente se complementam, e aqui, temos isso, a união de ambos. com uma das protagonistas mais ricas para se estudar da historia do cinema. não é pra pouco que john cassavetes, principal nome do cinema independemente estadunidense, escreve, dirige, atua e constrói um baita filme. a personagem é simplesmente um reflexo de uma mulher já com certa idade, e certa dificuldade de viver pelo seu alcoolismo que reflete sobre o desejo de certa parcela da juventude feminina para alcançar o sucesso, a atenção, os holofotes, a fama e notoriedade na indústria do entretenimento. da arte. logo a peça que fala sobre envelhecimento, e dirigida, essa peça por uma mulher mais velha tem muito para falar sobre o que se espera do amudereciment0 das mulheres, como elas evoluem até chegar em um patamar possivelmente estável. é engraçado, eles (equipe de teatro) exigem uma atuação digna de reconhecimento mas o personagem do j0hn, e a própria diretora negligenciam constantemente a myrtle, exigindo quase uma perfeição de performance. ela jamais pudera falhar, o show tem que continuar. e mesmo abalada pela morte da sua fã, ela não poderia decepcionar ninguém, nem a ela mesmo. por mais que ela não seja extremamente de bom convívio, ela não quer, de certa forma, perder tudo que conquistou. e é neste ponto de ruptura onde a metalinguagem e a encenação ganham seu ápice. que filme. eu me relaciono muito com a personagem brilhantemente atuada pela rowlands, pelo seu caráter e personalidade. sua persistência. pelo sucesso. afinal, o show nunca pode terminar, deve seguir de gerações em gerações. definitivamente um dos filmes que mais falam sobre mim. e um, com certeza, dos meus mais favoritos da vida. fica a dica de hoje por aqui, acho que falei demais. improvisação nunca foi tão lindo e bem feito. gena rowlands e john cassavetes, que casal. senhoras, senhores e outros.


Um dos diversos aspectos psicológicos que podem ser assimilados no longa de John Cassavetes, Opening Night, é a ideia de que o status de estrela só tem existência para a juventude feminina. O primeiro momento em que Myrtle percebe o espectro da garota atropelada, assistimos ao toque entre duas fases da vida. Em uma bela metáfora, a jovem morta se equivale à morte da juventude da própria atriz, que não poderia viver a mesma glória de antes.

- montez.



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