• Lisa Yang

jeanne dielman, 23, quai du commerce 1080 bruxelles, um revolucionário filme feminista

Atualizado: 11 de Dez de 2021


chantal akerman e sua obra-prima.

jeanne dielman, 23, quai du commerce 1080 bruxelles é atemporal, irónicamente.

é sobre tempo, e mais do que tudo, sobre construção e desconstrução.

como a opressão silenciosa vem e aí a medida que os dias passam, de acordo a todo um cotidiano.

os detalhes, e como pouco a pouco um "efeito borboleta" vem tomando forma e controle de uma mulher.

é uma aula de mise-en-scène.

como conduzir toda uma repetição monótona a partir do gesto, do movimento, do singelo, do corpo, do obsoleto, da dor, do cansaço.

a premissa é autossuficiente.

os diálogos são desnecessários quando se tem um lindo tom de espaço-tempo, uma 'carta de amor' ao ato e consequência.

como as pessoas montam sistemas de refúgio na solidão.

por mais que possa passar despercebido, é um retrato também, um retrato histórico e social, da maneira que de tempos em tempos, a figura masculina tradicional aprisiona tudo aquilo que não entende, e que no fundo despreza.

da forma menos chamativa possível, até mesmo a própria invasão e violação do único lugar de talvez um certo conforto "feminino". o doméstico, o ordinário, acabou culminando no humano, no instinto, no vazio.

a lentidão na qual a rodagem se passa, o enquadramento estático, é apenas um reflexo do quão agressivo e torturante pode ser uma vida sem motivação.

a montagem, o uso do som, e a interpretação memorável da delphine seyring impulsionaram um resultado único.

um dos melhores encerramentos que já pude conhecer.

inesquecível, inigualável e genuinamente real.

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