• Lisa Yang

EVA, um anime subversivo e psicológico

Atualizado: 11 de Dez de 2021


Quando a obra te faz sair uma pessoa melhor é porque ela funcionou.

Se pensar no que hoje faz Evangelion tão icônico você tem coisas como o design dos personagens; dos evas; dos anjos; da Nerv e da Neo Tokyo III; a trilha sonora; sua lore e entre outros,porém mesmo esses elementos sendo incríveis nenhum deles importam de verdade,tanto que no final é literalmente mostrado que essa história poderia não ser sobre robôs gigantes mas sobre colegiais que mesmo assim ela ainda seria Evangelion.

Essa obra na minha visão é muito além dessa superfície e mais sobre conexões humanas,utilizando de metáforas e paralelos para montar seus personagens com base nesse conceito. Todos os personagens principais são conectados pela sua relação paterna e materna,é pela morte da Mãe que Shinji se rebaixa ao máximo e foge de qualquer relação,se isolando pelo medo de se machucar porém que busca se conectar com a Rei após ela lembrar sua falecida mãe no qual gera uma relação que vai sendo construída aos poucos com momentos que são traçados paralelos entre o Shinji e o Gendo de forma bem interessante e já plantando sementes pro futuro.

É pela morte da Mãe que Asuka busca se mostrar superior aos outros implorando por atenção afastando-os de sua volta como consequência,fazendo com que ela odeie não só o Shinji por ser um reflexo dela mas tbm a Rei que a lembra da boneca de sua mãe,na qual recebia todo seu carinho e atenção em vez de sua própria filha na qual tinha uma relação abusiva. No início ela é bem irritante mas depois ganha um desenvolvimento incrível que parte pra uma decadência visceral muito bem construída

Entre algumas metáforas tem a do campo ATHT sendo a barreira que os personagens criam em torno de si mesmo,ou o da Eva(e aí da pra reparar que muita coisa em Evangelion no geral não é nada sutil) que tem esses cabos chamados literalmente de cabos umbilicais que quando desligados fazem eles perderem a autonomia mas quando ligados mantém essas crianças fora de perigo como dentro do útero,que dependendo da sincronização fazem elas se tornarem um só com sua unidade/mãe rejeitando seu corpo assim recusando o nascimento.

Ainda com tudo isso,o que move a série de início é a relação paterna,falando da Rei ela é não só a mais distante da gente que assiste como tbm dos personagens,não sendo humana e vivendo pra obedecer o Gendo como uma boneca. É essa relação que faz ela receber um tipo de inveja não só da Asuka como já dito mas tbm do Shinji,pois é com ela que seu pai demonstra apoio e carinho,o que justamente ele mais quer a ponto de resumir sua vida como sua função,que é de pilotar o Eva apenas por elogios dele.

No caso da Misato ela não busca validação mas sim vingança por seu pai,que assim como Gendo era distante e focado somente no trabalho porém que sacrificou sua vida pra salva-lá. Por esse trauma e ralação conturbada com seu pai que a Misato entrou na Nerv,de certa forma se relacionou com Kaji por lembrar ela seu pai (que dá pra dizer que lembra a Rei e Shinji só que ao contrário) e agora tenta se conectar com o Shinji por saber o que ele sente,mas que claro poucas vezes é sucedido. Ela é um poço de carisma e cresce de forma surpreendente durante a série sendo a única personagem realmente madura dela,com certeza uma das minhas favoritas. Sobre os principais é isso mas ainda tem muita coisa pra se falar,muito ainda do Shinji,sua relação com Kaworu; a personagem da Ritsuko; o conceito construído no background de que a busca do homem por uma mulher é apenas para substituir sua mãe e vice versa,porém esses e mais assuntos são todos muito ricos e difíceis de não se aprofundar,mostrando que apesar da lore maluca ou das lutas incríveis o central desse anime são os dilemas de pessoas quebradas e o quanto isso tem o poder de conectar com você. Acho que no fim é o que eu mais gosto de Evangelion,é uma daquelas obras que você leva pra vida pois quanto mais bagagem você tem mais interpretações vc ganha.

Por fim o trabalho de direção e fotografia estilo Ultraman e filmes kaiju antigos auxiliados por aquela edição típica do Anno fazem com com que todos esses conceitos apresentados,sendo eles do mundo que reside a obra ou correlação aos personagens,sejam tão bem construídos com um nível de escrita impecável. Tudo que é apresentado tem função e isso só dá mais peso pros dois episódios finais,que apesar de feitos por um problema de dinheiro que já se via na série com aquelas repetições ou imagens paradas,ainda são fáceis as coisas mais experimentais e subversivas que eu vi em áudio visual,na qual conclui os arcos dos personagens principais de um jeito incrível utilizando de artifícios como o da animação de forma genial e como eu nunca vi antes.

escrito por André. @andrmsct_ (twitter)


8 visualizações

Posts Relacionados

Ver tudo