• Lisa Yang

cinemateca, uma tragédia anunciada

Atualizado: 11 de Dez de 2021


para liquidar os povos, começa-se por lhes tirar a memoria. destroem-se seus livros, sua cultura, e sua historia. E uma outra pessoa lhes escreve outros livros, lhes da outra cultura e lhes inventa uma nova historia.

DIÁRIO: no dia 29 de julho de 2021, a cinemateca brasileira pegou fogo. uma tragédia já anunciada pelo próprio manifesto dos trabalhadores da mesma. eu vou pegar um trecho do manifesto, onde em abril, já se apontava o descaso e a total negligencia para com a cinemateca, e seus profissionais:

a cinemateca brasileira segue fechada desde agosto de 2020, quando representantes do ministério do turismo retomaram as chaves da organização social que a geria. desde então, não há corpo técnico contratado, o acervo segue desacompanhado e não há qualquer informação sobre suas condições. por este motivo, lançamos uma alerta acerca dos riscos que correm o acervo, os equipamentos, as bases de dados, e a edificação da instituição.
a possibilidade de autocombustão das películas em nitrato de celulose, e o consequente risco de incêndio frequentemente recebem mais atenção da mídia e do publico. a instituição recebeu quatro incêndios em seus 74 anos, sendo o ultimo em 2016, com a destruição de cerca de 500 obras. o risco de um novo incêndio é real. o acompanhamento técnico continuo é a principal forma de prevenção. A situação do acervo em acetato de celulose também é critica. o conjunto está estimado em torno de 240 mil rolos, e corresponde a maio parte do acervo audiovisual da cinemateca brasileira. tal acervo demanda temperatura e umidade, e na falta de tais condições, sofre aceleração drástica de seu processo de deterioração. o acompanhamento técnico, e as demais ações de preservação, inclusive processamento em laboratório, também são vitais.

dito tudo isto, fica mais do que evidente, a falta de mobilização de ações do governo federal, estadual e municipal. os culpados sabemos muito bem quem são: o presidente, mario frias e alice portugal. um pais sem historia, não pode ter um futuro digno. so a corja elitista se beneficia com a queima de documentos históricos. kleber mendonça filho, no festival de cannes relembrou o caso da cinemateca e avisou pro mundo a falta de atenção, cuidado, e apoio. É tragicamente engraçado cineastas como walter salles, que billinario, se diz amante do cinema brasileiro, do popular, do drama, quando na realidade não moveu um tostão pra ajudar com a situação precaria da cinemateca. algumas fontes, dizem que parte dos arquivos foram digitalizados, mas bem sabemos que nem tudo foi. é muito triste saber que obras nunca mais serão recuperadas por um governo incontestavelmente genocida. a seguir vou trazer algumas imagens da pericia feita semanas antes do incendio, para verem o quão mal-tratado estava a condição da cinemateca:






agora, a seguir vou trazer algumas fotos de como ficou após o incêndio:


enfim, não há muito mais o que se dizer, mas vale salientar que tudo começou bem antes do ocorrido.

A precarização da Cinemateca acontece sistematicamente desde 2019. Na época, Abraham Weintraub rompeu o contrato da instituição com a fundação Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) e o governo. A entidade administrava a autarquia ligada à pasta.

Segundo reportagem, inclusive, o governo usou argumentos considerados de caráter ideológico, como “combate à doutrinação e ao marxismo cultural”, entre outros. Depois do ocorrido, os repasses do ministério deixaram de ser realizados. Além disso, a Acerp já constatava uma dívida de R$ 13 milhões com o Ministério da Educação. A verba não teria sido repassada à fundação para arcar com serviços básicos, como pagamento de funcionários e até de manutenção, com refrigeração e preservar materiais inflamáveis.
Ainda durante este caos, Bolsonaro prometeu um cargo a Regina Duarte dentro da Cinemateca. Além da promessa não se cumprir, assim que Regina deixou o governo, o secretário de audiovisual da Pasta, Heber Trigueiro, que havia sido nomeado pela ex-global, foi exonerado. Exonerar Heber, inclusive, foi uma das primeiras ações do novo secretário de Cultura, Mario Frias. Funcionários chegaram a relatar que Trigueiro era um quadro técnico e que vinha atuando na defesa da Cinemateca, se posicionando contra o Governo Federal. Algumas greves e atos simbólicos ocorreram por parte dos trabalhadores da Cinemateca, mas como não recebiam salário, não conseguiam trabalhar. O desmonte é criminoso e é um projeto de destruição do Brasil. Quantos mais de nossa história perderemos ao fogo?
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